HENRICO VIGNETO Estávamos dentro do quarto dela. O santuário que agora eu estava prestes a profanar — ou consagrar — com cada grama de desejo que eu vinha represando há vinte meses. Ariel estava parada na minha frente, os olhos dela estavam dilatados, escuros, cheios de uma expectativa que fez meu sangue, que já estava quente, ferver. — Você está tremendo — ela sussurrou, levando a mão ao meu rosto. Os dedos dela estavam frios contra a minha pele fervendo. Soltei uma risada baixa e nervosa. Eu, Henrico Vigneto, estava tremendo porque uma garota ruiva me convidou para o quarto. — Estou apavorado, Ariel — admiti, virando a palma da mão para beijar o pulso dela, onde o perfume floral estava concentrado. — Tenho medo de que seja um sonho. Tenho medo de acordar e estar sozinho no meu quarto, abraçado com um travesseiro. — Não é um sonho. — Ela se aproximou mais, o corpo roçando no meu. — E se for, é um sonho compartilhado. Não aguentei mais. Minhas mãos, que estavam respeitosamente
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