DANTE VELASQUEZ
A garrafa de Uísque na minha mão, era um peso familiar e maldito que tinha se tornado meu companheiro mais constante nos últimos meses.
Subi as escadas da mansão em silêncio. Passei pelo quarto de Luna. A porta estava fechada.
Entrei na minha suíte.
O quarto estava exatamente como sempre esteve. A equipe de limpeza tinha ordens expressas de manter tudo esterilizado, sem traços de vida e sem desordem.
Caminhei até a mesa de cabeceira e abri a gaveta de cima.
Lá dentro, havia papéis.
Dezenas de pequenos pedaços de papel quadrados, amarelos, cor-de-rosa e azuis. Post-its.
Deixei a garrafa de uísque sobre o criado-mudo e peguei o maço de papéis.
Sentei na beira da cama, acendendo o abajur e comecei a ler. Eram bilhetes que ela deixava para mim de manhã, antes de eu acordar, ou colados no espelho do banheiro, ou dentro da minha pasta de trabalho.
A letra dela era cursiva, levemente inclinada para a direita, com laços grandes nas letras maiúsculas.
"Não esqueça de