ARIEL MACEYAs vinte e quatro horas seguintes se arrastaram não como minutos num relógio, mas como gotas de água numa torneira quebrada: lentas, torturantes e enlouquecedoras. Nós não saímos do hospital. Henrico e eu nos revezamos em cochilos inquietos no sofá da sala de espera privada, um de nós sempre acordado, sempre vigiando, como cães de guarda. Minha avó, apareceu na manhã seguinte. Marcos a trouxe, carregada de sacolas com roupas limpas, itens de higiene e comida feita por Matilde, porque ela se recusava a acreditar que a comida do hospital — mesmo a da ala VIP — fosse nutritiva o suficiente para sustentar a família em crise. — Eu quero vê-la — Minha avó exigiu, ignorando a enfermeira que tentou barrar a visita fora do horário. Henrico interveio, claro. Uma palavra dele e as regras do hospital se dobraram. — Ela é forte, Ariel — ela me disse, segurando meu rosto com as mãos enrugadas antes de ir embora. — Ela vai voltar para nós. E então, voltamos a esperar. O médico vei
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