HENRICO VIGNETO
O mundo, que segundos antes era dourado e cheio de promessas de um futuro brilhante, tornou-se subitamente vermelho.
Vermelho e silencioso.
Ajoelhado na lama e no cascalho, senti o frio penetrar meus joelhos, ignorando o calor da tarde toscana.
— Piccola... — Minha voz saiu como um trapo rasgado. — Filha?
Virei Vittoria com um cuidado que doeu nos meus ossos. Eu sabia, racionalmente, que não devia movê-la. Mas o sangue...
O sangue jorrava da testa dela, escuro e espesso, cobrindo o olho direito, descendo pela bochecha que eu beijara minutos atrás.
— Ela não está respirando... Henrico, ela não está respirando! — O grito de Ariel quebrou o meu transe paralisante.
Coloquei a mão no peito minúsculo. Nada. Nem o subir e descer rítmico que eu observava todas as noites no berço. Aproximei meu ouvido da boca dela. Um sopro fraco, irregular. Ela estava viva, mas por um fio.
Não havia tempo para ambulâncias.
— MARCOS! — Rugi, levantando com Vittoria nos braços. — O CAR