CAPÍTULO 34 — A PROTEÇÃO QUE CUSTA CARO

O envelope permaneceu sobre a mesa da cozinha como um corpo estranho que ninguém ousava remover.

Mesmo depois da saída do delegado Moura, ninguém sugeriu jogá-lo fora. A ameaça escrita à mão parecia ter se entranhado na casa, contaminando o ar, os móveis, os passos. Luna sentia isso em cada respiração.

Ela mantinha Elias junto ao corpo desde o amanhecer.

O menino não chorava. Não perguntava. Não reclamava. Apenas desenhava — compulsivamente — como se cada traço fosse uma tentativa silenciosa de organizar o caos que não conseguia expressar em palavras.

— Ele não vai à escola — disse Adrian, com firmeza, quebrando o silêncio na sala.

Luna ergueu os olhos.

— Nem hoje, nem nos próximos dias — ele continuou. — Já falei com uma professora particular. As aulas serão aqui. Sempre acompanhadas.

— Isso vai chamar atenção — Luna ponderou.

— Prefiro atenção a enterro — respondeu ele, seco.

Ela não contestou.

Adrian caminhava de um lado para o outro, falando ao telefone com a empresa de segurança.
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