O envelope permaneceu sobre a mesa da cozinha como um corpo estranho que ninguém ousava remover.
Mesmo depois da saída do delegado Moura, ninguém sugeriu jogá-lo fora. A ameaça escrita à mão parecia ter se entranhado na casa, contaminando o ar, os móveis, os passos. Luna sentia isso em cada respiração.
Ela mantinha Elias junto ao corpo desde o amanhecer.
O menino não chorava. Não perguntava. Não reclamava. Apenas desenhava — compulsivamente — como se cada traço fosse uma tentativa silenciosa de