CAPÍTULO 38 — O SILÊNCIO QUE APRENDE

O silêncio da criança não era comum.

Não era o silêncio distraído de quem brinca sozinho, nem o cansaço doce de quem dorme cedo demais. Era um silêncio atento. Observador. Um silêncio que parecia aprender.

Ela percebeu isso logo ao amanhecer.

A mansão acordava com seus ruídos habituais — o eco distante de passos no corredor principal, o ranger leve da escada antiga, o som metálico de uma bandeja sendo colocada sobre a mesa do café. Tudo seguia o mesmo ritual de sempre. Tudo, menos a criança.

Sentada no tapete, de pernas cruzadas, ela não brincava. Não desenhava. Não falava. Apenas observava a porta fechada do corredor leste, como se esperasse algo que ainda não tinha chegado… ou que já tivesse passado.

— Bom dia — ela disse, tentando manter a voz leve.

Nenhuma resposta.

A criança virou o rosto lentamente, os olhos grandes demais para um semblante tão sério. Havia algo novo ali. Não medo. Não tristeza. Cálculo.

— Dormiu bem? — insistiu, ajoelhando-se ao lado dela.

Um pequeno aceno de
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