O silêncio da criança não era comum.
Não era o silêncio distraído de quem brinca sozinho, nem o cansaço doce de quem dorme cedo demais. Era um silêncio atento. Observador. Um silêncio que parecia aprender.
Ela percebeu isso logo ao amanhecer.
A mansão acordava com seus ruídos habituais — o eco distante de passos no corredor principal, o ranger leve da escada antiga, o som metálico de uma bandeja sendo colocada sobre a mesa do café. Tudo seguia o mesmo ritual de sempre. Tudo, menos a criança.
Sentada no tapete, de pernas cruzadas, ela não brincava. Não desenhava. Não falava. Apenas observava a porta fechada do corredor leste, como se esperasse algo que ainda não tinha chegado… ou que já tivesse passado.
— Bom dia — ela disse, tentando manter a voz leve.
Nenhuma resposta.
A criança virou o rosto lentamente, os olhos grandes demais para um semblante tão sério. Havia algo novo ali. Não medo. Não tristeza. Cálculo.
— Dormiu bem? — insistiu, ajoelhando-se ao lado dela.
Um pequeno aceno de