Anna acordou com o barulho distante de carros na rua, o som típico do movimento matinal de Nova York. Por um instante, ficou deitada olhando para o teto do pequeno apartamento mobiliado que alugara com parte do dinheiro que trouxe da entrega — um espaço simples, antigo, mas só dela. Pela primeira vez em meses, sentiu algo parecido com estabilidade.Tomou um banho rápido, prendeu o cabelo e vestiu o uniforme recém-passado da StarBite Diner, a lanchonete que a contratara poucos dias antes. Ainda era tudo novo: os cheiros, as rotinas, o inglês rápido demais, o sistema de pedidos digital. Mas ela estava determinada a se adaptar.No caminho até o metrô, o vento frio cortava o rosto, e o casaco fino que trouxera do Brasil não ajudava muito. Ainda assim, ela seguia firme — precisava seguir firme.Quando entrou no diner, o aroma de café fresco e gordura quente tomou conta do ar. As luzes neon vibravam sobre o balcão cromado, e clientes já se aglomeravam nos booths vermelhos.— Morning, Anna!
Ler mais