Narrativa: ElenaHavia passado uma semana desde que Lisa deixara a UTI.Uma semana que, para qualquer outra pessoa, poderia significar melhora, esperança, recomeço. Mas para mim, para nós que a conhecíamos de verdade, aquela semana tinha outro nome. Despedida.A casa estava silenciosa demais quando ela voltou. Não o silêncio confortável de um lar em paz, mas aquele silêncio atento, quase reverente, como se as paredes soubessem que precisavam conter a respiração para não assustá-la. Médicos iam e vinham. Enfermeiras ajustavam equipamentos, horários, medicamentos. Tudo parecia girar em torno de manter Lisa confortável. Não curada. Nunca foi essa a palavra. Apenas confortável.Ela precisava de mais cuidados do que nunca.Soros, medicações, oxigênio à noite, alimentação controlada. Cada passo era medido, cada esforço calculado. O corpo dela já não sustentava o que a alma ainda queria viver. E mesmo assim, Lisa sorria. Um sorriso delicado, curto, mas real. O tipo de sorriso que não pede na
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