Rafael O escuro do quarto não era mais um vazio. Com Isadora ali, a poucos centímetros de distância, o ar parecia ter densidade, uma carga elétrica que eu não conseguia desligar como se fosse um dos meus servidores. Estávamos deitados, cada um em seu lado da vasta cama King, mas o silêncio não era de isolamento; era de expectativa. — Você não consegue dormir, não é? — a voz dela surgiu na penumbra, suave, desarmando minha vigília. — Pensando na logística de amanhã. O evento da Vaz Tech é o maior do ano. Todos os investidores, a imprensa, os concorrentes... — menti parcialmente. Eu estava pensando nela. — Você está pensando no controle, Rafael — ela corrigiu, e eu quase pude ouvir o sorriso dela. — Na empresa, você dita as regras. Aqui, no escuro, as regras do contrato não têm onde se apoiar. Suspirei, virando-me de lado para encará-la, embora só visse o contorno do seu rosto. — O nome Vaz não aceita falhas, Isadora. Meu pai me ensinou que vulnerabilidade é uma porta aberta para
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