Rafael
Os últimos três dias em Bora Bora foram uma tortura de um tipo que eu não previa. Isadora estava se recuperando; a febre cedera, e o corte no pé estava cicatrizando, mas a proximidade forçada naquele bangalô luxuoso estava corroendo meu autocontrole. Eu a observei dormir, cuidei de seus curativos e, em troca, recebi olhares que misturavam gratidão e uma desconfiança que eu sabia ser merecida.
O som do meu celular vibrando na mesa de centro quebrou o silêncio da manhã. Era uma mensagem de Beatrice.
"Rafael, a imprensa está começando a questionar o 'isolamento' excessivo de vocês. Preciso de uma foto. Algo romântico, real, que venda a ideia de que o CEO finalmente se rendeu. Agora."
Joguei o aparelho sobre o sofá com irritação. Minha mãe não descansava nem no paraíso. Olhei para Isadora, que lia um livro na espreguiçadeira da varanda, vestindo um biquíni preto sob uma túnica branca entreaberta. A luz do sol refletia na água e iluminava a pele dela de um jeito que tornava impo