A noite não acaba. Eu olho para o teto, para o berço, para a porta, e tudo que vejo é o bilhete na mão de Nazaré. Você não protegeu o primeiro. Não vai proteger o segundo. O bebê respira fundo, solta um suspiro pequeno, e, em vez de acalmar, isso só deixa o ar mais pesado.Tento inspirar devagar. O ar entra curto, raspa na garganta, trava no meio do peito. Pouso a mão no tórax como se fosse abrir espaço na força. Não abre. O coração dispara, os dedos formigam, a vista aperta nas bordas. Um som idiota escapa, meio soluço, meio riso nervoso.— Camila?A voz de Rafael vem baixa do meu lado. Eu queria fingir que estou dormindo, mas outro soluço me denuncia.— Eu… não estou conseguindo respirar direito — sussurro.O colchão afunda. Em um movimento só, o braço dele passa por cima de mim e me puxa inteira, encaixando meu corpo no peito dele. Não é gentil, não é lento, é urgente. Meu rosto bate na camiseta de algodão, sinto o cheiro de sabão, suor, cavalo. A mão grande prende minha nuca.— Re
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