O grito dele ainda parecia pendurado nas árvores quando o ar pesou. Nenhum tiro respondeu na hora, mas Rafael sentia o olhar de alguém escondido entre os troncos. O braço ardia, o corte da bala latejava, porém ele mantinha o foco adiante.Herrera veio pelo flanco, arma pronta, rádio preso ao colete.— Ele calou o gatilho — disse baixo. — Quando some assim, está mudando de posição.Rafael avaliou terreno, inclinação, rastro de sangue, lembrando do buraco com estacas que quase engoliu Herrera antes. O homem que montava aquilo não agia por impulso, estudava, antecipava. Quem estuda também escolhe onde termina o confronto.À direita, entre troncos grossos, algo riscou o verde, rápido demais para ser vento. Um brilho mínimo, talvez metal, talvez lente, chamou a atenção. O corpo de Rafael reagiu antes da mente. Saiu da proteção do tronco, avançando.— Rafael! — Herrera chamou, num aviso curto.Ele ignorou. O peso no peito não era só adrenalina, era a imagem do berço com o bilhete, o medo es
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