Acordo com um estalo seco vindo de algum lugar da casa, como se algo tivesse quebrado na estrutura. Levo um segundo para entender que não foi sonho. No seguinte, tudo apaga.
O ar-condicionado morre, a luz do abajur some, a tela da câmera desliga. A madrugada engole o quarto num escuro pesado, sem nem o clarão dos postes do pátio. Sento na cama num sobressalto, o coração disparando.
— Rafael? — chamo, sem enxergar nada.
Sinto o colchão afundar ao meu lado. O corpo dele se ergue, tenso, e a mão e