Os dias seguintes à primeira aula criaram uma rotina que, à primeira vista, parecia segura.Universidade pela manhã, cafés pequenos no caminho de volta, horas dedicadas à leitura e aos esboços que surgiam quase sem permissão. Eu me esforçava para manter tudo organizado, racional, ancorado no presente. Ainda assim, havia sempre aquela sensação de estar sendo… acompanhada. Não vigiada. Acompanhada.Como se alguém caminhasse ao meu lado mesmo quando eu estava sozinha.Naquela tarde, saí da universidade um pouco mais tarde. O céu começava a ganhar tons dourados, e o calor diminuía, deixando o ar agradável. Decidi voltar a pé, aproveitando o percurso. Precisava pensar. Sempre precisava.Passei por uma pequena galeria universitária que não havia notado antes. A porta estava aberta, discreta, quase convidativa. Um impulso — antigo, insistente — me fez entrar.O espaço era silencioso, paredes brancas exibindo estudos, esculturas inacabadas, telas experimentais. Nada grandioso. Mas algo ali me
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