POV: Yara Caminhamos sem pressa, lado a lado, como se a noite tivesse decidido nos guardar só para ela. As pedras da rua refletiam a luz amarelada dos postes, e cada passo parecia ecoar mais do que devia, como se Roma estivesse escutando. Eu sentia o vinho aquecer meu corpo, mas era outra coisa que me deixava tonta — a presença dele, constante, silenciosa, densa. — Você ficou quieta — Alessandro comentou, quebrando o silêncio sem quebrar o momento. — Estou tentando… organizar — respondi, escolhendo as palavras com cuidado. — É como se partes de mim estivessem fora de ordem. Ele assentiu, como quem entende mais do que deveria. — Às vezes, a ordem é superestimada. Olhei para ele de lado. O perfil de Alessandro sob a luz noturna parecia esculpido, antigo, quase irreal. Havia algo nos olhos dele — uma paciência profunda, misturada com uma vigilância constante, como se estivesse sempre esperando algo acontecer. — Você vive assim? — perguntei. — Sempre esperando? Ele sorriu
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