POV YARA
A manhã em Roma tinha um jeito estranho de parecer antiga e viva ao mesmo tempo.
Acordei ainda com a sensação da mão dele na minha — quente, firme, impossível. O lugar onde havia um corte profundo agora estava intacto, como se meu cérebro tivesse inventado tudo para preencher algum vazio inexplicável. Mas eu sabia o que tinha visto. Sabia porque a memória não vinha como um sonho, e sim como algo que se recusa a ser apagado.
Tomei banho tentando organizar os pensamentos. A água quente escorrendo pela pele ajudava a silenciar o turbilhão, mas não o suficiente. Alessandro. Tristan. Dois nomes para o mesmo homem, e nenhum deles parecia completo.
Vesti um conjunto claro, calça de alfaiataria bege e uma blusa branca de tecido leve. O espelho devolveu a imagem de alguém centrada, controlada. Pelo menos por fora. Prendi o cabelo de maneira prática, peguei a bolsa e saí do hotel decidida a me ocupar com algo concreto.
Precisava de um lugar para morar.
O hotel era confortável, mas temp