POV: MaylaA água da nascente era quente demais, quase o oposto do gelo que eu costumava carregar no peito. Enquanto eu me lavava, observando a sujeira de Éterea escorrer pelo ralo de pedra, eu só conseguia pensar em Daniel. O rosto dele, o sorriso suave que ele tinha antes de tudo desmoronar... A sensação era de que, a cada quilômetro que eu me afastava de Manhattan, eu o perdia um pouco mais. Beijar o Abner na Úmbria foi como um curto-circuito, mas agora, no silêncio, a culpa vinha como uma ressaca pesada. Eu não deveria estar sentindo isso. Eu não deveria estar viva para sentir isso.Saí do banho e vesti a túnica de linho. O tecido era rústico, pinicando levemente a pele, um lembrete constante de que eu não estava mais no controle da minha vida. Sequei o cabelo como pude e caminhei em direção à abertura da gruta, esperando encontrar um ambiente vazio para processar minha "auditoria" emocional.Em vez disso, eu o vi.Abner estava na piscina termal externa, sob o luar prateado de Éte
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