Eu observo Mayla enquanto entramos no refúgio de pedra. Ela está no limite. O roupão de seda, que custou o preço de um carro de luxo em Manhattan, agora é um trapo cinzento, rasgado e manchado, revelando mais do que deveria da pele pálida sob a luz dos cristais. Ela caminha como se cada passo fosse uma decisão de diretoria: pesada, mas determinada.
— O banheiro fica atrás daquela cortina de teia de prata — digo, minha voz soando baixa e rouca no silêncio da gruta. — A água vem direto da nascente. Ela vai curar os cortes pequenos.
Eu coloco sobre o banco de pedra um conjunto de roupas que mantive aqui para emergências: uma túnica de linho cru e calças de montaria feitas de couro de fada, macias como seda, mas resistentes como aço.
— Não é exatamente o que você encontraria na Quinta Avenida, mas vai servir.
Ela pega as roupas sem dizer uma palavra. Nossos dedos se tocam por um segundo e eu sinto o tremor nela. Não é medo. É exaustão sistêmica.
Eu me afasto, indo para a borda da pis