Eu a observei de perfil. A luz dourada da Runa da Vida refletia em sua pele, acentuando a linha afiada e elegante de sua mandíbula. Ela era linda, mas de uma forma perigosa. Seus olhos, que eu vira tantas vezes gélidos e calculistas atrás de uma mesa de mogno, agora estavam dilatados, brilhando com uma vulnerabilidade que ela tentava desesperadamente esconder sob o título de CEO.
— Eu não consigo... "sentir" — ela murmurou, a voz falhando por um milésimo de segundo. — É como se houvesse uma parede.
— A parede é você — eu disse, e sem pensar, deslizei minhas mãos de seus dedos para seus pulsos, sentindo o pulsar acelerado de seu sangue.
Eu a virei devagar para que ela me enfrentasse. A proximidade era perigosa. Eu podia ver as pequenas sardas que a maquiagem da Gala não conseguia mais esconder, e a forma como seus lábios se entreabriram, surpresos com o meu toque direto.
— Você passou a vida construindo uma fortaleza para proteger o que restou de você após a morte de seus pais