A dor vem em ondas que não pedem licença. Ela não avisa, não negocia, não espera que eu esteja pronta. Apenas chega, toma meu corpo inteiro e me dobra por dentro, como se estivesse tentando me partir em duas. Eu aperto os lençóis com força, sentindo o mundo se estreitar até caber apenas naquela sala branca, nas luzes fortes acima de mim e na mão de Romeo entrelaçada à minha.— Olha pra mim, Stella — ele pede, a voz baixa, firme, mesmo quando vejo o medo escondido no fundo dos olhos dele. — Estou aqui. Respira comigo.Eu tento. Juro que tento. Mas o ar parece não entrar direito, e tudo o que consigo fazer é fechar os olhos quando outra contração me atravessa, arrancando um gemido que não consigo conter. Meu corpo está fazendo algo maior do que eu, algo que eu não controlo mais.— Eu não consigo — digo, chorando. — Romeo, eu não consigo…Ele se inclina, encosta a testa na minha, e por um instante o caos lá fora some.— Consegue, sim — responde, com uma convicção que me sustenta. — Você
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