O tempo deixa de existir no instante em que Stella dobra o corpo no sofá, levando a mão à barriga com um gemido contido que dilacera algo dentro de mim. Não é como as outras vezes. Eu sei. O jeito como ela fecha os olhos, como os dedos se enterram no tecido da blusa, como a respiração perde o ritmo… tudo grita que algo mudou. E o medo, aquele medo primal que eu nunca senti nem nos palcos mais lotados do mundo, explode no meu peito sem pedir licença.
— Romeo… — ela murmura, e a forma como diz meu nome me desmonta.
Estou de joelhos diante dela em segundos, segurando seu rosto com cuidado excessivo, como se qualquer movimento errado pudesse quebrá-la.
— Olha pra mim, amor — peço, tentando manter a voz firme quando tudo dentro de mim quer gritar. — Respira comigo. Isso. Devagar.
Outra contração vem, mais forte. Stella arqueia o corpo, e eu sinto o pânico se infiltrar nos olhos dela.
— Não era pra ser agora — ela diz, a voz falhando. — Ainda falta tempo…
— Ei — seguro sua mão com força. —