Clara tinha um ano, e o mundo, agora, parecia caber nas próprias pernas. Isabella percebeu isso logo cedo, quando ouviu um barulho diferente vindo da sala. Não era choro, nem riso. Era um som novo, irregular, seguido de um silêncio atento, como se alguém estivesse testando o chão. — Clara? — chamou, saindo da cozinha com as mãos ainda molhadas. A cena fez o coração dela parar por um segundo: a filha estava de pé, segurando apenas na borda do sofá, concentrada como se estivesse diante da tarefa mais importante da vida. Os olhinhos curiosos analisavam o espaço entre o móvel e a mesa, medindo a distância com uma seriedade quase solene. — Devagar, meu amor... — Isa disse, ajoelhando instintivamente, abrindo os braços. Clara olhou para a mãe, depois para o chão, depois de volta para a mãe. Soltou uma das mãos, depois a outra. O primeiro passo foi torto, o segundo, inseguro. No terceiro, ela caiu sentada no tapete, surpresa, e logo abriu um sorrisão largo, orgulhosa de si mesma. Isa
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