A manhã nasceu quieta, com o céu encoberto por nuvens claras que deixavam a luz difusa, quase leitosa. Isabella acordou cedo, antes mesmo do canto do galo, com uma ideia insistente ocupando seus pensamentos. Levantou-se devagar, para não acordar Rafael, e seguiu até o quarto que agora já não era mais apenas um cômodo da casa — era o quarto de Clara.Abriu a janela, deixando o ar fresco entrar, e sentou-se na cadeira de balanço próxima à cama ainda vazia. Sobre a mesinha, estavam os tecidos que Dona Lourdes havia separado dias antes: algodão cru, linhas em tons suaves, um bastidor simples. Isabella passou a mão sobre eles com cuidado, como se tocasse algo vivo. Pegou o pano, esticou-o no bastidor e ficou alguns minutos em silêncio, imaginando. Não queria algo rebuscado. Queria algo que dissesse o essencial. Com o lápis, desenhou primeiro o nome. Clara.As letras eram simples, arredondadas. Depois, ao redor, um pequeno ramo de flor do campo, semelhante às que cresciam perto da cerca vel
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