O quarto estava banhado por uma luz suave quando Isabella despertou. Não sabia ao certo que horas eram — o tempo, desde a chegada de Clara, havia aprendido a andar descalço, sem pressa. O corpo doía de um jeito novo, profundo, mas havia também uma serenidade que ela nunca tinha experimentado antes.
Clara dormia em seu peito, pequena e inteira, como se tivesse sido moldada exatamente para caber ali. O movimento leve da respiração da filha fazia o coração de Isabella desacelerar, encontrando um ritmo que não era mais só seu.
Rafael estava sentado na poltrona ao lado da cama, torto, claramente desconfortável, mas dormindo com um sorriso bobo no rosto. A mão dele ainda segurava a ponta da manta do berço improvisado, como se temesse que, ao soltar, tudo pudesse desaparecer.
Isabella o observou por alguns minutos. Pensou em tudo que ele havia sido — o rapaz que chegou com um violão gasto, o homem que escolheu ficar, o marido que sustentou silêncios e promessas. Agora, ali, ele era pai. E is