Os dias seguintes chegaram com uma delicadeza quase reverente, como se a própria fazenda soubesse que algo precioso estava em formação. O nome agora existia — Clara — e isso mudava tudo. Não de forma barulhenta, mas sutil, como quando a chuva começa antes mesmo de a gente perceber que o cheiro da terra mudou.
Isabella passou a tocar a barriga com mais frequência, não por ansiedade, mas por conversa. Falava com Clara enquanto caminhava entre os canteiros, enquanto organizava as contas na mesa antiga da sala, enquanto dobrava os tecidos do enxoval que ela e Dona Lourdes tricotavam juntas nas tardes mais quentes.
— Hoje o sol tá forte, minha filha. — dizia, sorrindo sozinha — Igual ao dia em que seu pai chegou aqui pela primeira vez, achando que ia embora logo.
Rafael observava esses momentos à distância, sem interromper. Havia aprendido que algumas intimidades não pedem plateia, apenas respeito. Ainda assim, cada palavra que Isabella dirigia à filha parecia atravessá-lo também, como se