A casa reaprendeu a esperar. Não era um vazio desconfortável, mas um espaço atento, como quem mantém a porta entreaberta sabendo que alguém querido vai voltar. Isabella sentiu isso logo no primeiro entardecer sem Rafael. Os sons eram os mesmos — o rangido leve do assoalho, o vento batendo na janela da cozinha, o relógio antigo marcando as horas —, mas tudo parecia pedir mais cuidado.
Ela passou o dia entre pequenas tarefas. Organizou o armário do quarto de Clara, dobrou roupas minúsculas com uma concentração quase reverente, como se cada dobra fosse uma promessa silenciosa. Dona Lourdes apareceu depois do almoço, trazendo pão fresco e aquele jeito discreto de companhia que não invade.
— Casa muda quando falta alguém, né? — comentou, colocando o pano sobre a mesa.
— Muda. — Isabella respondeu — Mas não fica vazia. Fica… em pausa.
Dona Lourdes sorriu, compreendendo mais do que perguntou.
À tarde, Isabella sentou-se novamente na varanda. Levou consigo o bastidor, embora o bordado já esti