“É preciso aprender a lidar com os próprios demônios, em vez de esperar que o outro os amanse.”Cássio acordou mais descansado. Ficar em casa, isolado do mundo, tivera um efeito inesperadamente reparador.Arrumou-se de forma automática, quase mecânica, e desceu.Silvia estava sentada ao balcão da cozinha, tomando um suco. Já vestida para o trabalho, impecável como sempre.— Já acordou? — perguntou, levantando-se de imediato e enchendo um copo. — Fiz a vitamina que você gosta.— Obrigado — respondeu Cássio, aceitando a bebida sem pensar muito.— Podemos ir juntos para a empresa?— Hoje não — disse ele, após um gole. — Vou passar no Grupo Ferreira agora cedo. Você pode ir com o motorista.Silvia assentiu, escondendo bem a decepção por trás de um sorriso controlado.— Tudo bem.A diarista, que ia à casa três vezes por semana, surgiu na porta da cozinha com passos cautelosos.— Senhor Cássio… posso falar um instante?— Fale.Ela hesitou, visivelmente constrangida.— Estou ficando sem mate
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