Desviei o olhar assim que a pergunta de Laura ecoou no quarto. Não por vergonha imediata, mas porque aquela era a primeira vez, desde que cheguei àquele palácio, que alguém me fazia uma pergunta real. Não carregada de ordens, nem de interesse disfarçado, nem de poder. Era uma pergunta que exigia verdade, e a verdade, às vezes, pesa mais do que qualquer mentira bem construída.Respirei fundo, sentindo o ar entrar com dificuldade, como se meus pulmões precisassem reaprender a funcionar naquele lugar.— Júlia…Ela insistiu, com a voz mais baixa. — Eu sei que não começamos bem. Você não tem motivo nenhum para confiar em mim. Houve uma breve pausa, como se ela mesma estivesse escolhendo com cuidado cada palavra. — Mas, se você estiver aqui contra a sua vontade, eu farei de tudo para ajudar você a se livrar disso e voltar para o Brasil.Meu corpo inteiro reagiu em alerta.Voltei o olhar para ela, confusa, desconfiada, quase à beira de rir pela ironia da situação. Laura. Justamente Laura.
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