Os dias começaram a se misturar. Eu acordava sem vontade, sem propósito, sem horário. Às vezes ainda era manhã, às vezes já era tarde, mas pouco importava. O tempo deixou de ter significado. Tudo o que eu fazia era… existir. Comer quando lembrava, dormir quando o cansaço vencia, chorar quando a dor apertava. E, na maior parte do tempo, apenas ficar parada, olhando para algum ponto fixo como se aquilo pudesse, de alguma forma, preencher o vazio que minha mãe deixou. Três semanas. Três semanas vivendo assim. Vegetando. Sem energia para lutar, sem força para reagir, sem ninguém. E, aos poucos, a realidade começou a cobrar. Abri o armário da cozinha e fiquei encarando o que restava. Um pacote de arroz, e na geladeira, uma bandeja de frango. Mais nada, nem frutas, nem legumes, nem qualquer sinal de planejamento. Era o fim do que ainda restava da minha antiga vida. Suspirei fundo. — Tá… Murmurei para mim mesma. — Chega. Eu precisava voltar, não queria, mas precisava. Prep
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