Eu sempre soube lidar com espera.Esperar propostas amadurecerem, esperar números se ajustarem, esperar o momento exato de avançar ou recuar. A espera, para mim, nunca foi passiva. Era cálculo. Estratégia. Domínio do tempo. Mas aquela espera era outra coisa.Camila tinha aceitado o convite, e isso não me deixava tranquilo, me deixava consciente. Como se eu estivesse andando em um terreno onde cada passo precisava ser sentido antes de ser dado.O encontro não seria naquela noite, mas na noite do dia seguinte. Ainda assim, o simples fato de existir um “amanhã” reservado para nós dois mudou o ritmo de tudo. O dia pareceu mais longo. O silêncio da casa, mais carregado. Até o som dos passos nos corredores parecia respeitar algo novo.Saí cedo para a empresa, como sempre fiz, mas, diferente de outros dias, não levei o mundo comigo.No carro, observei a cidade acordando. Pessoas indo trabalhar, cafés abrindo, semáforos regulando fluxos que não me diziam respeito. Pela primeira vez em muito t
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