CAMILA A manhã estava quente demais para ficar dentro de casa. Mesmo cedo, o sol já se infiltrava pelos corredores amplos da mansão, aquecendo o ar, tornando tudo mais lento, mais pesado. Eu sentia o calor como um convite e, ao mesmo tempo, como um aviso de que aquele dia não seria simples. Por isso peguei Vicente no colo e desci para o jardim. Precisava de sombra, de vento, de algo que me ajudasse a organizar a respiração e os pensamentos.O jardim era amplo, verde, silencioso àquela hora. As folhas ainda guardavam pequenas gotas de orvalho que brilhavam sob a luz forte, e o perfume das flores misturava-se ao cheiro de terra aquecida. Estendi uma toalha de piquenique na grama, à sombra de uma árvore, e deixei Vicente deitado ao meu lado.Ele estava acordado, inquieto por causa do calor, mexendo as perninhas, abrindo e fechando as mãos no ar, como se quisesse tocar tudo ao mesmo tempo. Passei os dedos em sua cabeça, tentando acalmá-lo, e comecei a falar com ele em voz baixa, co
Leer más