CAMILAEu estava no jardim, Vicente dormia tranquilo. Seu corpinho pequeno estava encaixado contra o meu peito, quente, confiante demais para alguém que tinha chegado ao mundo há tão pouco tempo. Eu balançava o banco devagar, num movimento automático, repetido tantas vezes desde a noite anterior que já fazia parte de mim. Cada balanço parecia dizer ao mundo que estava tudo bem, mesmo quando eu não tinha tanta certeza disso.O sol da manhã ainda era gentil. Não queimava, apenas aquecia. A grama estava fresca, levemente úmida pela irrigação recente, e o cheiro da terra misturado ao das plantas me trazia uma calma provisória, daquelas que a gente aceita sem questionar, só para conseguir respirar um pouco melhor.Eu tinha acabado de ajeitar a mantinha de Vicente quando ouvi o portão. O som metálico ecoou distante, mas foi suficiente para fazer meu coração acelerar de um jeito que não combinava com a tranquilidade do momento. Levantei o rosto instintivamente, apertando Vicente um pouco mai
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