As manhãs com Daniel entraram em um ritmo. Não uma rotina. Ritmo implicava escuta.Eu acordava antes dele na maioria dos dias. Não por hábito, mas porque meu corpo já não esperava alarmes. A luz entrava suave pelas cortinas. A cidade lá embaixo parecia distante, administrável, como um problema já enquadrado. Acordar sem um alarme estridente me trazia paz. Paz suficiente para conseguir descansar.Daniel dormia leve. Sempre dormiu. Uma mão geralmente repousava sobre o lençol, os dedos curvados, como se pudesse alcançar algo se fosse preciso. Aprendi a não acordá-lo a menos que fosse intencional.Quando eu acordava, era deliberado.O café da manhã acontecia do lado de fora quando o clima permitia. Café primeiro. Sempre. Nada de conversa fiada antes da segunda xícara.Falávamos de logística entre ovos e frutas. Agendas. Fusos horários. Nomes que, sozinhos, não significavam muito, mas que significavam tudo quando colocados no lugar certo. Nomes que só circulavam à mesa do café da manhã. Nu
Ler mais