Por alguns dias, o tempo se comportou.Não nos pressionou. Não exigiu. Esticou-se, amplo e generoso, como se tivesse decidido nos dar uma trégua. Daniel e eu deixamos acontecer. Nenhum de nós tentou controlá-lo. Só isso já parecia um pequeno ato de desafio.Nós percorremos a ilha devagar. Primeiro, as praias. Algumas estavam vivas de vozes, toalhas espalhadas e crianças correndo para dentro d’água sem medo. Outras estavam vazias, a areia ainda fresca da noite, o mar tão claro que parecia irreal. Aprendi que o azul tinha mais tons do que eu jamais havia notado — o azul que significava raso, o azul que significava profundidade, o azul que dizia não me teste. Daniel me observava descobrir isso, silenciosamente divertido.Comemos de tudo.Comida embrulhada em papel que manchava nossos dedos de óleo e tempero. Peixe tão fresco que mal precisava ser cozido. Massa que parecia ter sido discutida por séculos. Sobremesas que chegavam sem explicação — e não precisavam de uma. Ali, refeições não
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