ANGELINE HARRINGTON Eu e Yulia ficamos em um hotel confortável e discreto, uma espécie de limbo elegantíssimo entre a decisão e a ação de Nicolai. Dormi muito tarde, os olhos fechados, mas a mente projetando, em loop, a imagem do meu rosto naquele monitor. As possibilidades dançavam na escuridão, formas luminosas e assustadoras. Confesso que custei a pegar no sono, meu corpo um fio de energia nervosa esticado ao limite. Ao amanhecer, acordei ainda mais cedo, a ansiedade não tinha diminuído; tinha se refinado, tornado-se uma pontada aguda e constante abaixo das costelas. Quando o café da manhã chegou ao quarto, eu já estava vestida, envolta em um casaco pesado. O frio de Londres, descobri, era diferente do de Moscou: mais úmido, mais penetrante, um convite à introspecção gelada. Yulia e eu tomamos café em silêncio por alguns minutos, até que ela, incapaz de conter o nervosismo, começou a tagarelar. — O doutor Orlov, senhora… — ela disse, com os olhos arregalados. — Eu estava lendo.
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