ANGELINE HARRINGTON Mas, para meu espanto, no carro, ele disse que eu agira corretamente. Soltei um suspiro de alívio, mas algo nele estava ainda mais tenso, mais carregado. Percebi o modo como seus olhos percorriam meu colo, minhas pernas. O medo voltou, ainda mais agudo. O que viria a seguir? Assim que chegamos, me desvencilhei dele o mais rápido possível. Subi as escadas quase correndo, fechei a porta do quarto e tranquei-a, como fazia todas as noites. Ouvi a maçaneta do lado de fora girar, uma vez. Meu coração parou. Ele estava ali. Mas não falou nada, não forçou. Soltei outro suspiro, desta vez de exaustão. O que eu não esperava, porém, era ouvir um som que me acordou às quatro da madrugada. Um barulho baixo, um choro triste e agudo, vindo do jardim, logo abaixo da minha janela. Era quase como o choro de um bebê, mas mais rouco. Peguei meu celular, liguei a lanterna e espiei. — Meu Deus docinho, como você conseguiu chegar aqui? — falei assustada. Lá embaixo, tremendo n
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