ANGELINE HARRINGTON Eu estava desesperada, esperando a resposta dele, já me preparando para o pior. Se Nikolai decidisse jogar aquele serzinho frágil no frio, eu nada poderia fazer. Não conseguia nem me proteger da fúria dele, que dirá a um animal. Eu sabia da monstruosidade que habitava nele, quando ele permitia. Mas sua atitude seguinte me deixou totalmente atordoada. Ele se aproximou, e eu, instintivamente, recuei. A parede atrás de mim impediu qualquer fuga. — Calma, Angeline — disse ele, e sua voz, embora firme, não carregava a ira que eu esperava. Parecia… exausta. — Não vou fazer mal à criatura. Só quero ajudar. Dê-me aqui. Encarei seus olhos cinza, procurando o ardil, a crueldade disfarçada. Por incrível que pareça, vi apenas uma estranha serenidade, uma decisão prática. Com mãos trêmulas, entreguei o cachorrinho, que tremia tanto quanto eu. Ele pegou o animal com uma surpreendente delicadeza, acomodando-o no braço. — Siga-me. Obedeci, o coração ainda nas alturas. Ele
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