ANGELINE HARRINGTON
O som do cristal se espatifando no mármore ecoou como um tiro no silêncio súbito do saguão. Meu riso congelou na garganta, transformado em um nó de gelo. Nikolai estava ali. Parado. Olhando.
Ele não se moveu, nem para limpar o líquido âmbar que se espalhava aos seus pés. Parecia esculpido em granito, seus traços severos ainda mais afiados sob a luz baixa. Mas eram os olhos que me paralisaram. Aquele cinza glacial, sempre tão calculista e distante, agora fixo em mim com uma