Narrado por Catarina Smirnova
O relógio marcava quase meia-noite, e eu ainda estava acordada, sentada na beira da cama enorme do quarto que Mikhail tinha mandado preparar pra mim. A mansão dele era fria, silenciosa demais — como se o ar ali tivesse medo de fazer barulho. Desde que voltamos da Itália, minha cabeça não parava.
A cada piscar, eu via o rosto do Don Marcello, o olhar dele quando prometeu me possuir… e o som das botas dos homens dele caindo mortos, um a um, quando Mikhail e Dmitri invadiram aquela casa.
Foi um inferno. Mas um inferno do qual eu fui salva.
A porta se abriu devagar.
Mikhail entrou. Estava sem o terno, usando apenas uma camiseta preta e calça social. Os olhos dele, normalmente frios, pareciam diferentes — mais pesados, como se carregassem o mundo.
Catarina: — Você devia estar dormindo.
Mikhail: — Não consigo.
Ele se aproximou, parou diante de mim, e por alguns segundos ficou em silêncio. Eu o observei, tentando entender o que se passava. Ele não era o mesmo ho