Narrado por Anya Volkov
O céu estava cinza naquela manhã.
Nem chovia, nem fazia sol — parecia que o próprio tempo estava esperando alguma coisa acontecer.
A casa estava diferente.
Os empregados falavam baixo, os seguranças andavam em grupos de dois, e cada passo soava como um eco de alerta.
Eu desci devagar, ainda de camisola, e encontrei Darya e Polina no jardim.
As duas tentavam agir naturalmente, tomando café na mesa de ferro, cercadas de flores, mas dava pra ver o nervosismo estampado nos rostos delas.
Darya: — Você percebeu que tem o dobro de seguranças hoje?
Polina: — Dobro? Eu contei três vezes mais. Até pra regar as flores tem homem armado olhando.
Sentei com elas, tentando sorrir.
O cheiro do café misturado com o perfume das rosas era bom, mas não bastava pra afastar o medo que rondava a mansão.
Anya: — Dmitri só tá sendo cauteloso. Não é nada demais.
Polina: — Nada demais? Anya, a gente viu os caminhões chegando ontem à noite. Armas, homens novos… tem coisa grande acontecend