O quarto estava mergulhado naquele silêncio raro que só existe de madrugada. Estava deitada, de lado, observando Gael. Ele ainda não dormia. Estava de costas para mim, o braço dobrado sob a cabeça, o olhar perdido no teto. Mesmo na penumbra, eu conseguia perceber a tensão em seus ombros, a rigidez que não o abandonava desde que chegara do trabalho.Passei os dedos devagar por suas costas, um gesto automático, íntimo.— Você devia tentar dormir — murmurei.Ele respirou fundo, como se estivesse prestes a responder, quando o som cortou o silêncio.O celular.O toque foi baixo, mas suficiente para quebrar completamente a atmosfera tranquila do quarto. Gael se moveu de imediato, rápido demais. Pegou o aparelho no criado-mudo antes mesmo que ele vibrasse uma segunda vez.Olhou para a tela.Vi o maxilar dele se contrair.— Já volto — disse, baixo, enquanto se afastava da cama.Sentou-se na poltrona perto da janela, virando ligeiramente o corpo para longe de mim. Atendeu a ligação sem dizer p
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