Leandra Felix
A manhã estava silenciosa demais para uma casa com quatro crianças. Não um silêncio incômodo, mas aquele raro intervalo entre uma necessidade e outra, como se o mundo tivesse decidido me dar alguns minutos de trégua. Eu estava na sala, sentada no tapete macio, com as meninas acomodadas no carrinho duplo bem à minha frente e os meninos espalhados ao redor, entretidos com bloquinhos coloridos que insistiam em cair e serem empilhados novamente, sempre com a mesma empolgação.
Auriel dormia profundamente, o rostinho sereno, como se nada no mundo pudesse alcançá-la naquele momento. Aniel, ao contrário, mantinha os olhos abertos, atentos, observando tudo com aquela curiosidade recém-descoberta que me fazia sorrir sem perceber. Às vezes, eu tinha a sensação de que ela já entendia mais do que aparentava. Como se estivesse apenas esperando o momento certo para mostrar.
— Devagar, amor — pedi a um dos meninos quando ele quase esbarrou no carrinho. — Elas ainda são pequenas.
Ele ass