A primeira coisa que percebi ao acordar foi o silêncio.Não o silêncio absoluto, inexistente em um hospital, mas aquele silêncio filtrado, quebrado apenas por sons distantes de passos no corredor, um carrinho passando ao longe, algum equipamento apitando em outro quarto. Um silêncio diferente daquele do parto. Um silêncio que não machucava. Que não pressionava.Abri os olhos devagar.A luz estava mais suave agora, amarelada, quase gentil. Levei alguns segundos para lembrar onde estava, até que o corpo respondeu antes da mente. Uma dor surda, espalhada, profunda, que não chegava a ser insuportável, mas também não me deixava esquecer o que tinha acontecido.Eu tinha dado à luz.Respirei fundo.E foi então que o vi.Gael estava sentado na poltrona ao lado da cama, inclinado para frente, os cotovelos apoiados nos joelhos, as mãos entrelaçadas. Ele me encarava com tanta atenção que parecia ter medo de piscar. Como se, se desviasse o olhar por um segundo, eu pudesse desaparecer.Quando noss
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