Clara apoiou as mãos na porta de vidro do hospital, o corpo exausto, a mente em frangalhos. A chuva forte do Rio de Janeiro parecia um lamento incessante, ecoando o vazio em seu peito. O olhar de Paulo, misto de pena e impotência, era um espelho da sua própria alma. O legado de seu pai, o sonho de uma vida inteira dedicada aos desamparados, desmoronava em seis horas. — Não podemos deixar as máquinas pararem, Paulo. Não com o Gabriel na UTI – a voz de Clara era um sussurro rouco. — Ligue de novo. Para todos. Para qualquer um. Enquanto Paulo corria de volta para o telefone, Clara sentiu-se um peso morto. O cheiro de mofo e desinfetante parecia sufocá-la. Seu olhar, perdido na rua escura e alagada, viu algo que destoava daquela miséria. Um sedã preto, blindado e reluzente, estacionou abruptamente na poça de lama em frente à calçada. Não era um carro de hospital, nem da polícia. Era um veículo que exalava uma opulência fria, totalmente fora de lugar ali. Dois homens corpulentos, vest
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