Diziam que era noite de celebração. Lá fora, as mulheres do clã giravam ao redor da fogueira. O som dos tambores marcava o ritmo, enquanto liras e flautas se misturavam às vozes. Riam alto. Bebiam. Chamavam umas às outras, alegrando-se da forma mais simples. Era bonito de se ver. Para quem via de fora. No segundo andar, afastada de tudo aquilo, Alarë não partilhava do mesmo entusiasmo. Estava sentada, sozinha e inquieta. As mãos frias repousavam sobre o colo, trêmulas demais para quem tentava parecer calma. A respiração vinha curta, irregular. Havia um leve palpitar nas pernas — quase imperceptível, não fosse por quem já a conhecesse; ali, porém, ninguém realmente a conhecia. Nunca fora fácil para a jovem moça. E agora, outra vez, seria exposta. A louca do oeste, como diziam. Pensou no que poderia acontecer. Pensou demais. E, como sempre, seus próprios pensamentos começaram a se voltar contra ela. E se não conseguisse se conter? E se aquilo voltasse? — Nervos
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