John À tarde, fui até a cidade como quem entra em território neutro sabendo que, mesmo ali, nada é realmente seguro. Resolvi pendências, assinei papéis, antecipei conversas que eu vinha empurrando para depois havia tempo demais. Cada assinatura era um passo à frente. Cada telefone desligado, um aviso silencioso de que eu não estava mais disposto a reagir - eu estava me posicionando. Não era paranoia. Era preparação. A diferença entre medo e responsabilidade sempre esteve nisso. Quando voltei, o céu estava pesado, carregado de nuvens baixas que prometiam chuva, daquelas que chegam sem pedir licença. A Butterfly parecia menor sob aquela luz cinza, como se também estivesse em alerta. Ainda assim, havia Aurora. Ela estava sentada na varanda, desenhando com giz no chão. O coração era torto, grande demais para caber direito no espaço que ela tinha delimitado. Dentro dele, três figuras de mãos dadas. Não precisei perguntar. — É a gente — ela explicou, sem levantar o rosto, concentrada em
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