Aurora
Antes, o medo era uma coisa que dava pra entender. Tinha forma. Era o escuro do quarto quando a luz apagava. Era um barulho que a gente não conhecia. Era um sonho ruim que acabava quando alguém sentava na cama e dizia que estava tudo bem. O medo tinha tamanho. Tinha limite. Dava pra correr dele.
Naquela noite, não.
Eu acordei porque ouvi vozes. Não eram altas. Ninguém gritava. Mas eram vozes diferentes, duras, do tipo que machuca mesmo quando fala baixo. Fiquei deitada por alguns segu