John O fim de um homem como Richard não acontece de uma vez. Ele se desfaz aos poucos, como algo mal sustentado que resiste apenas pela força do hábito. Sempre pensei nisso enquanto via as primeiras notícias pipocarem na tela do celular, uma após a outra, com a mesma insistência que ele sempre usou para controlar tudo ao redor. Só que, desta vez, o nome dele não vinha ladeado de respeito ou poder. Vinham palavras ásperas, irrecuperáveis: investigação, abuso, fraude, coerção. Nenhuma delas se apaga depois de dita em voz alta. Fiquei na sala, sentado, o telefone vibrando sem parar na minha mão. Mensagens de advogados, de conhecidos antigos, de gente que, por anos, preferiu o silêncio e agora encontrava coragem para falar. Não precisei articular nada. Não foi vingança. Foi consequência. Richard construiu o próprio fim tijolo por tijolo. Alguém apenas teve coragem de acender a luz. Levantei o olhar e encontrei Clarice no sofá. Ela estava imóvel, com as mãos entrelaçadas no colo, como s
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