Ele Me Chamou de Interesseira e Depois Se Arrependeu
A minha família não tinha boas condições financeiras, por isso as pessoas ao redor de Celso Malta sempre achavam que eu era interesseira. Quem mais fazia questão de pensar assim era Mariana Campos, a amiga íntima dele.
Ela dizia que, no passado, ela mesma já tinha sido uma dessas mulheres que viviam às custas de homens. Por isso, ela jurava que conhecia muito bem mulheres como eu.
Para provar que eu não era interesseira, passei três anos ao lado de Celso sem aceitar nenhum presente caro dele.
Mas Mariana fazia questão de distorcer tudo:
— Ela diz que não quer nada, mas, no fundo, está esperando o homem tomar a iniciativa e dar algo ainda melhor. Essa estratégia se chama se fazer de difícil.
Até que, no aniversário de Celso, eu comprei um relógio para ele com o salário que eu tinha economizado durante seis meses.
Quando me aproximei do reservado, ouvi Mariana rindo lá dentro:
— Eu falei que ela ia comprar um presente caro. Interesseira conhece bem esse truque: primeiro finge que não liga para o dinheiro do homem, depois usa uns trocados dela para tentar arrancar muito mais dele.
Celso estava sentado ao lado dela e não disse nada.
Alguém entrou na brincadeira:
— Celso, a sua namorada sabe investir bem, hein?
Quando eu entrei, alguém fez um gesto pedindo silêncio:
— Xiu, parem. Ela entrou.
Mariana soltou uma risada de deboche:
— Mulher tem que ser mais sincera, como eu. Homem gosta de mulher assim, não é?
Celso ficou em silêncio por muito tempo. Então, de repente, levantou a cabeça e me perguntou:
— Você passou todo esse tempo fingindo que não queria nada comigo só porque queria arrancar muito mais de mim depois?
Eu fiquei parada na porta. De repente, o relógio pareceu pesado demais nas minhas mãos, como se carregasse todo o peso da humilhação que eu tinha engolido em silêncio. Eu não respondi. Apenas me virei e fui embora.
Naquele momento, parei de oferecer a eles o amor sincero que nunca tinham deixado de colocar em dúvida.