A Maldição de Dirt'alrus (Parte I)

A Maldição de Dirt'alrus (Parte I)PT

L.L.Santos  Em andamento
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Resumo
Índice

Nico de Ellefen é um rapaz humilde do reino de Ertiron que nunca conheceu suas origens, grande e forte, é um verdadeiro lutador da Arena do Lustre de Ferro, embora não tenha se tornado tão bem sucedido quanto esperava no início. Millena Leviance compartilha não conhecer suas raízes, mas cresceu em um ambiente completamente oposto: o reino de Wendevel, que não só abriga imensas fortunas, como também conhecimentos que nenhuma outra civilização possui, o Nono Pilar é sua casa desde que consegue lembrar. Ambos entram em uma jornada perigosa e inesperada, onde podem descobrir a estranha ligação que parece existir entre eles, enquanto uma guerra se forma por revanchismo e ganância entre os reinos mais poderosos do continente. No meio disso tudo, terão de lidar com o passado que os assombra como fantasmas e perseguições das quais não veem escapatória, o Lobo de Dirt’alrus surge nessa história épica cheia de reviravoltas para causar ainda mais tragédias, uma maldição que deverá ser aniquilada.

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Prólogo
 O crepúsculo morreu aos poucos em suas cores vermelhas. Pôs-se o sol novamente, escondendo-se em um horizonte invisível após o mar. Erensiel, com suas grandes asas deslizando pelo céu noturno, sobrevoava um manto de ondas escuras e pacíficas, que logo foram deixadas para trás ao atravessarem a paisagem de uma praia deserta de areias brancas. Eram as terras de um continente marcado, suas cicatrizes pareciam ganhar forma à medida que avançavam. Os rochedos e depressões que surgiam simbolizavam sua força, pequenos riachos lembravam o sangue que foi e ainda é derramado. O céu repleto de estrelas, adornado com o sorriso de uma lua minguante, era o reflexo de que ainda havia esperança sobre aquele mundo. O vento gélido castigava o rosto cansado de Morgan, um ardor crescia em seus olhos. Seus cabelos negros esvoaçavam com força, sentia um frio incôm
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Capítulo I: O ouro no mundo
Dez anos depois.Reino de Ertiron. A tranquilidade sempre se faz no caminho. Chega com delicadeza, despercebida. As ondas agitadas do mar de pensamentos se transformam na calma corrente de um rio. Por um breve instante ou um longo período. Às vezes, como dizem, é a calmaria antes da tempestade. Em qualquer caso, Endrick geralmente faz o mesmo, aquilo que precisou viajar longe para aprender a apreciar. Ele relaxa, pois nunca sabe quando ou se haverá outro. Existia uma noite até pouco. Ela se foi sem despedida, deixando seu frio e trazendo uma névoa fina. Não era um novo dia, o sol ainda não viera ver sua face. Porém havia uma leve claridade na madrugada, anunciando que estava próximo. O alívio de sair da cidade de Cinstrice estava explícito, algo que não era raro. Não existia uma boa alma viva que queria permanecer em uma Nider. Endrick guiava a carroça sem pressa de volta ao vilarejo de Ellefen. O lento sacolejar não incomodava, tornava-
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Capítulo II: A noite conhece seu tempo
 Nico não tomou o chá, como esperado, embora Mercstzine quase tenha perdido a paciência duas vezes e feito ele engolir à força com xícara e tudo. Ela foi piedosa, mas o obrigou a ficar na sua tenda enquanto fazia uma limpeza em várias partes da estalagem. Não se passara muito tempo desde a última vez, mas montes de teias de aranha surgiam de um dia para o outro, acompanhadas de um pó acinzentado que se acumulava sobre os antigos móveis da família, que exibiam um leve ar suntuoso em meio àquele cenário humilde. Apesar do cheiro deliciosamente chamativo, o caldo de Mercstzine não dava sinais de que faria uma boa venda naquela manhã, porém até o meio-dia e o fim da paciência de Nico, o fundo da panela foi ficando visível sem muito esforço e uma bolsinha ganhou o peso de algumas moedas. O pouco que era muito quando se tinha quase nada. Nico retornou à estalagem e encontrou Mercstzine na cozinha. Terminara a limpeza e colocava uma panela sobre o fogo enquan
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Capítulo III: Sob o Lustre de Ferro
 A chuva começou a cair no instante em que todos se reuniram à mesa de jantar. Mercstzine recebeu Tarci com um tapa na cabeça e comentou sobre a sorte dos três não serem pegos pela nuvem que caía, mas disse que teriam o seu magnífico chá para ajudar no caso de um indesejado resfriado, informação que os obrigou a torcer o nariz. A lenha crepitava na lareira em uníssono com as gotas de chuva que açoitavam a estalagem. Mercstzine fizera uma sopa de legumes para ajudar a espantar o frio, algo que fez Nico agradecer, apenas seus pés reclamavam da ausência de calor. Endrick se enganara ao pensar que tinha um par extra de botas, e os pés de Tarci eram menores do que os de Nico, a única solução foi continuar descalço. Endrick apoiava o queixo em suas mãos e os cotovelos na mesa. Ondeava a sopa com o talher de forma distraída, sequer cogitava tomar um pouco. Seus pensamentos estavam distantes, além do mar, porém permanecia ciente de tudo ao redor. Nico não o vi
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Capítulo IV: O Nono Pilar
 Não foi dita uma única palavra desde que se sentara. Apenas suspiros de descontentamento e o incessante som de pena riscando papel circulavam o amplo aposento, que possuía a inconfundível essência das ervas-séias de Ciusimur. Os olhos verdes e incisivos de um grande gato preto a encaravam, sacolejava a cauda de forma lenta deitado sobre uma caminha almofadada de veludo azul. Se bem escutara, chamava-se Calaithto. Nome do primeiro Eldenzor que se sentara no trono de Wendevel há quinhentos anos. Uma simples forma de homenagear a família real, até o mais tolo poderia ver, entretanto olhares diferentes poderiam ver o ato como um insulto. Ela não dava importância a isso, Calaithto era um nome bonito para um belo felino. O gato deu uma piscadela, como se apreciasse seus pensamentos. Millena nunca estivera no Palácio Lirnansio do lorde Syafer de Lirnans, mas a sua
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Capítulo V: Na sombra do salgueiro
 Ela estava atrasada. Não imagine isso como algo digno de surpresa, era corriqueiro para ser sincero. Mesmo se adiantando, o atraso era inerente a sua rotina. O piso do salão do refeitório estava engordurado próximo à mesa de onde encontraram as crianças. Ela não saberia dizer se os restos de comida no chão pertenciam a um porco ou a um frango, nem perdeu tempo pensando nisso. As crianças acenaram ao vê-la, quanta audácia de agirem naturalmente após terem feito o que fizeram. Mesmo irritada, ela retribuiu e sorriu das bochechas lambuzadas de molho vermelho, esperava que não saísse com facilidade. — Aí estão seus alunos, senhor Armoni— virou-se para o Mestre de Ensinos.— Não os perda de vista dessa vez. Drafindel e os gêmeos riram da cara do homem, Diarne retirou-se com um suspiro, dizendo que faria umas anota&cce
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Capítulo VI: Amargos devaneios
 As engrenagens giravam dentro da caixinha de madeira, resultando em música e um leve tremor sobre o peito de Millena. O compasso criado junto aos seus batimentos acalmava, o toque melancólico ordenava para que fechasse os olhos. Ela era teimosa, observava o dossel da cama, vagueando em pensamentos em uma trilha sonora de toques mecânicos. Havia um casal que girava à medida que a melodia progredia, de início curvados, mas vagarosos se erguiam em uma dança. Agora estavam perdidos em lugar nenhum, assim como muitas coisas da sua infância. Coisas que envolviam a sua memória. O dossel pareceu cair sobre seus olhos e as cortinas a envolveram tão subitamente quanto a caixinha que se fechou e deixou de tocar. Millena estava em Nivins, a ilha. Sabia que estava, poderia ser diferente? Tinha mais uma vez cinco anos, era óbvio. Qual pessoa não saberia sua própria idade? Sentia-se bem e olhava o
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Capítulo VII: Herança roubada
 — Meu nome é Alec— respondeu após Endrick ter que perguntar pela segunda vez. Sentava-se em uma cadeira próxima a lareira, assistia a lenha recém colocada ser abraçada pelas chamas e se transformar aos poucos em um resquício distante do que era. Ele recusara comida ou um cobertor, apenas quis ficar perto do fogo. Uma fina linha de sangue escorria do canto da boca, Mercstzine não o convenceu a deixá-la cuidar do ferimento. Apenas o sangue maculava o rosto pálido de Alec, porém ele estava mais ferido do que aparentava. Mancava um pouco com a perna esquerda, Nico serviu de apoio para carregá-lo até onde estava, e mantinha a mão colada ao lado do corpo. Se tivesse a sorte que Endrick acreditava, talvez nenhuma costela estivesse quebrada. Seu cabelo negro estava desgrenhado, caía sobre seus olhos cinzentos e pensativos. Ele não
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Capítulo VIII: Uma sombra viva
              Era um sonho antigo e recorrente, talvez cheio de significados. Se eram lembranças do seu passado esquecido, ele não sabia, no entanto o sonho nunca estivera tão nítido quanto agora. Sentia tudo de forma concreta e intensa, era ele, uma criança entregue aos soluços do seu pranto. Nico duvidava que sua mente fosse capaz de criar uma ilusão tão perfeita em seu subconsciente, porém estava relutante em acreditar que realmente era uma cena ocorrida em seu passado.              O aperto no peito era insistente e cada vez mais doloroso, não havia nada que pudesse ser feito. Apenas segurar aquele maldito pano contra a testa do garoto, conter a febre. O medo, Nico pensou pela primeira vez em como o medo pode deixar alguém sem uma fração de si. As l&aacu
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Capítulo IX: Milhares de luas
              Nico mordiscava os pães e uma fina fatia de queijo, comumente ignorando o chá de Mercstzine servido a sua frente. Estava pensativo e pouco à vontade diante dos outros. O sonho com Leone, a aparição de Johen, seguido do roubo da misteriosa caixa de Tarci, foram tantos acontecimentos antes que o dia começasse direito que sua mente fazia acreditar que nem tudo havia acontecido de verdade. Em especial a parte de quase ter sido morto.              A adaga voava em sua direção, o tempo ganhara diferentes engrenagens e ele se via incapaz de fazer o simples ato de piscar. Porém o giro do cabo e da lâmina não terminaria como qualquer pessoa pudesse prever, o vento veio e mudou tudo.             
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