05

Alexander encarou a notícia com calma. Um casamento arranjado, apenas mais um trâmite. Afinal, seu pai lhe prometera a presidência do conglomerado assim que se casasse. Era um acordo estratégico. Ganha-ganha. Mas enquanto desligava a chamada, seu olhar voltou a pousar no corredor vazio onde Valeria tinha desaparecido.

Aquela mulher... o sinônimo de fraqueza, de desespero. E, estranhamente, um ímã para ele.

As lágrimas corriam pelas bochechas de Valeria, encharcando o travesseiro. A humilhação dos últimos dias entalava em sua garganta. Garota de recados? Ela, uma ladra? A raiva queimava seu peito, mas no meio da tempestade de emoções, secou os olhos com o dorso da mão e prometeu a si mesma: limparia seu nome. Não deixaria que aquele homem a pisoteasse.

Ela se apresentou mais uma vez no imponente edifício do Grupo Baskerville.

Alexander, com seu olhar gélido e seu terno impecável, parecia desfrutar de seu sofrimento. Suas ordens eram rudes, suas tarefas, humilhantes. Desde trazer-lhe o café na temperatura exata até organizar papéis sem sentido, cada instrução era um lembrete constante de sua situação.

Havia momentos em que Valeria sentia as lágrimas nos olhos, a indignação a sufocando, mas engolia o orgulho. O contrato que tinha assinado era uma corda no pescoço; não havia volta. Já estava há dois meses naquele inferno, e cada dia era pior que o anterior.

— Por que me trouxe isto? Não te pedi isto, maldita seja! — reclamou furioso. Ela, que estava organizando uns papéis, olhou para ele, sobressaltada.

— Sinto muito, foi meu erro, vou resolver.

Ele a apontava com seu olhar felino quase de maneira ameaçadora, então bufou.

— É tudo? É a terceira vez que comete um erro assim! Você é tão distraída — rosnou levantando-se de sua cadeira giratória, dando grandes passadas até invadir o espaço dela. Ela mal levantou o olhar, engoliu em seco. — Entende que é a terceira vez e não pode existir um quarto erro? Nesse caso, terá que ir embora daqui e devolver o dinheiro que recebeu da minha parte, porque aqui a incompetência é multada.

Desta vez, ela arregalou os olhos diante de suas palavras cheias de crueldade e injustiça.

— O senhor não pode fazer isso.

— E você se atreve a me questionar? Será melhor você ir buscar o que pedi, e volte rápido, preciso que vá à lavanderia.

Ela abriu a boca para refutar, mas decidiu ficar em silêncio, mesmo quando ele a estava pisoteando daquela maneira, apesar de aquele cara estar tratando-a tão mal. Por que ele a detestava tanto? Ela nem sequer tinha roubado seu precioso relógio, no entanto, Alexander parecia ser um homem bastante déspota e rancoroso.

"Um idiota", pensou.

Saiu de lá após pedir licença.

Por sua vez, Alexander afrouxou a gravata e recostou-se em seu assento giratório, bufando enquanto olhava para o teto. E aquele silêncio não tardou a ser quebrado pela chamada de sua mãe.

— Filho meu, Dina escolheu o vestido, está espetacular. Tudo está em ordem, quase pronto.

— Fico tranquilo em saber que tudo corre bem, mãe. Já enviaram os convites?

— Sim! Liguei para te dizer isso também. Não falta nada para o grande dia, está nervoso?

— Não sei exatamente o que você quer ouvir, mãe. É apenas mais um evento, pelo bem da família e dos negócios.

— Não seja tão seco — estalou a língua. — Visite-nos logo, filho.

Desligou.

Mais tarde Valeria voltou, desta vez não errou, mas continuava sob o olhar atento de seu chefe. Assim que pôde, quase fugiu para cumprir o que ele pedira. Enquanto caminhava para a lavanderia, a tontura surgiu e um vazio no estômago a lembrava de que não tinha comido nada desde a manhã.

"Idiota. Cretino. Um completo imbecil", pensava a cada passo.

Como ele podia ser tão cruel? Não apenas a humilhava com suas tarefas, agora também exigia que devolvesse o dinheiro se a demitisse. Uma dívida que a prendia àquele inferno. Como sobreviveria se ele a expulsasse? De onde tiraria o dinheiro para devolver cada centavo que tinha recebido?

Sentia-se presa, uma mosca na teia de um predador. O ódio a consumia, mas o desespero era mais forte. Tinha que aguentar, tinha que encontrar uma maneira de escapar daquele vínculo sem perder tudo.

Ao chegar à lavanderia, enquanto esperava para receber o terno, o cheiro de produtos químicos revirou seu estômago. De volta ao edifício Baskerville, subiu no elevador com o terno cinza pendurado no braço. Ao chegar ao andar, parou em frente à porta do escritório de Alexander e, com a mão trêmula, deu batidas suaves.

— Entre — ouviu-se a voz de Alexander, mais fria do que nunca.

Valeria entrou, sentindo-se pequena e insignificante.

— Voltei, senhor Baskerville — anunciou com a voz baixa e trêmula, quase um sussurro.

Ele não levantou o olhar dos papéis que tinha sobre a escrivaninha.

— Coloque ali — ordenou, apontando com um movimento de cabeça para um cabideiro de madeira escura em um canto.

Valeria obedeceu, deixando o terno com cuidado. Depois, parou em frente à escrivaninha, juntando as mãos.

— Precisa de algo mais, senhor?

Alexander finalmente levantou a vista. Seu olhar gélido percorreu Valeria de cima a baixo, detendo-se em seu rosto pálido e olhos cansados. Um sorriso cruel desenhou-se em seus lábios. Com um gesto rápido, jogou um par de notas amassadas no chão, bem aos pés de Valeria.

— Pegue o dinheiro e saia — disse, o deboche era evidente em sua voz. — Considere uma gorjeta.

O coração de Valeria parou. O sangue subiu à cabeça em uma onda de vergonha e raiva. O gesto de Alexander foi um soco no estômago.

Humilhada, ficou imóvel por um segundo, sua mente gritando para que fosse embora sem pegar nada, mas seu corpo, aquele que precisava sobreviver, a lembrava de que tinha que se abaixar. O medo de perder o emprego era mais forte que seu orgulho. Lentamente, inclinou-se e recolheu as notas. Seus dedos roçaram o chão frio e sentiu-se como um animal pegando as migalhas de seu dono.

Dispunha-se a sair, com os olhos fixos no chão, quando a voz de Alexander a deteve.

— Não pretende me agradecer? — perguntou ele com sarcasmo.

As lágrimas ameaçaram transbordar, mas Valeria piscou com força, obrigando-se a manter a compostura.

— Muito obrigada, senhor — murmurou, com a voz quase inaudível.

Sem esperar uma resposta, deu meia-volta e saiu quase correndo do escritório. Sentia a mesma sensação dos últimos dois meses; estava presa em um inferno do qual não podia escapar.

Justo quando fechava a porta do escritório e se dispunha a caminhar para sua mesa, uma mulher loira, elegantemente vestida e com um casaco de alta costura, passou por ela de forma abrupta. Com um movimento brusco, seu ombro colidiu com o de Valeria, fazendo-a cambalear. Uma dor aguda no ombro foi sentida por um segundo. A mulher entrou no escritório de Alexander sem sequer olhá-la.

— Dina, que surpresa — ouviu Alexander, sua voz era surpreendentemente "amável".

— Fazer uma surpresa para meu noivo foi a intenção — disse a mulher com uma voz melosa e segura.

"Meu noivo". A palavra ecoou em sua cabeça. Aquela mulher era a noiva de Alexander, a mulher com quem ele ia se casar.

— Dina, mesmo assim...

— Casamos este fim de semana, a data já foi escolhida — interrompeu-o.

Ou seja, seu chefe se casaria em dois dias. Valeria tentou seguir seu caminho, mas já era tarde demais. A tontura voltou com uma intensidade brutal e sua visão escureceu. A vontade de vomitar subiu por sua garganta e ela teve que parar, apoiando-se contra a parede, seu corpo inteiro tremia.

Tinha um mau pressentimento. E se... estivesse grávida? A ideia a congelou.

Grávida daquele idiota, seu chefe?!

Continue lendo este livro gratuitamente
Digitalize o código para baixar o App
capítulo anteriorpróximo capítulo
Explore e leia boas novelas gratuitamente
Acesso gratuito a um vasto número de boas novelas no aplicativo BueNovela. Baixe os livros que você gosta e leia em qualquer lugar e a qualquer hora.
Leia livros gratuitamente no aplicativo
Digitalize o código para ler no App